Sai de Baixo
1996
Cassandra: Caco Antíbes, nós precisamos estar fortes para enfrentar o lobisomem. Caco: Que lobisomem? Edileuza: Ué, não sabia não? Além do senhor tem mais uma besta morando aqui em casa.
Cassandra: Volte para o seu cárcere escrava, a conversa ainda não chegou na cozinha. Edileuza: A conversa passou da cozinha, passou da área de serviço, entrou no meu quarto, me cutucou, me fez levantar da cama, estou num mal humor... imagina uma escrava numa hora dessas em pé! Cassandra: Você acordou para assaltar a geladeira, eu te conheço muito bem. Edileuza: Enganou-se meu amor, tô de dieta. Tô fazendo a dieta da lua. Cassandra: Lua cheia né ? Lua bem cheia. Edileuza: Mas vai esvaziar tá bom? Porque eu coloquei um cadeado na geladeira e engoli a chave. Com uma folhinha de alface que é pra não sair da dieta. Cassandra: Mas essa é muito boa! A criadagem faz dieta e a casa grande passa fome? Edileuza: Ué, comunidade solidária querida.
Cassandra: Hoje tratem de me deixar em paz porque eu tenho o meu bingo, com as minhas veteranas. Edileuza: Ah, eu sei. Aquelas véias do terceiro andar. Qual que vai ser o prêmio? Uma excursão para o cemitério? Cassandra: Para visitar sua mãe, que você matou de desgosto. Ribamar: Olha só Edileuza, é embalo grande lá com asa véias, tem até cachaça. Cassandra: Cachaça é o que você tomava de mamadeira sabia ? Saiba que esse é um licor de jenipapo finíssimo. Edileuza: É licor de jenipapo é? Eu adoro licor de jenipapo, esse licor é de se tomar chorando. Cassandra: Vai continuar chorando porque meu licor não é para o seu bico não. Se quiser tomar alguma coisa, vai tomar conta da cozinha que é o seu lugar.
Ribamar: Acho que eu devo vender esse corpinho que Deus me deu né? Edileuza: Pra onde? Pra uma fábrica pra ração de cachorro?